segunda-feira, 14 de março de 2011

Técnica de fotografia - Dicas , Truques e Exemplos

 terminando a série e o curso rápido de FLÁVIO RB, publicamos seu último artigo dessa série... 

 

 

Finalmente terminei o quinto e último artigo da série de técnica de fotografia. Demorei muito para fazer as fotos de exemplo, hoje como só faltavam os exemplos de ISO e balanço de branco resolvi fazer todas as fotos.

Outros artigos da série:

I Medindo a luz
II Balanço de branco (Ajuste de branco)
III Quantidade de luz (Abertura vs. Tempo)
IV Ajustando a sensibilidade à luz (ISO)


I – Dicas para medir a luz

Comentei no artigo sobre medição de luz sobre os dois modos de medição de luz, a medição da luz incidente – feita com um fotometro de mão – e a medição da luz refletida – a que é medida pelo fotômetro interno de toda câmera. Esse medidor de intensidade da luz refletida de toda câmera compacta opera programado para interpretar tudo como o chamado cinza médio, um objeto que reflete 18% da luz que incide sobre ele. Isso faz com que um vestido de noiva branco quando a noiva está posando na neve, se medido pela câmera, fique acinzentado. O mesmo vale para um gato em cima de uma pilha de carvão. Sugiro que o leitor faça o teste de fotografar uma folha de papel branca colocando o marcado no meio da escala (-2..+2) da sua câmera (fotos abaixo).

 
Folha de papel branca, medição de luz em -2


 
Folha de papel branca, medição de luz em 0

 
Folha de papel branca, medição de luz em +2

Como nem sempre temos a disposição um fotômetro de mão, esse dispositivo é muito incomum para um fotógrafo amador (aquele que fotografa apenas por diversão e não faz dessa arte a sua fonte de renda). Podemos usar um artificio de saber que a nossa mão é quase (com pouca variação de pessoa para pessoa) um cartão cinza médio (pode ser encontrado em lojas especializadas de fotografia). Então, se fizermos a medição da luz na palma da mão e aumentarmos dois terços de ponto ou um ponto, teremos a medição que um fotometro de mão nos daria para aquela luz (exemplo de fotos abaixo). Outra opção é fotometrar uma folha branca e fazer a escala ficar no +2, para indicar que esse é o branco.

II – Balanço de branco

A dica para esse tema é, se estiver em dúvida da temperatura de cor da luz do ambiente, fotografe algo branco e use essa foto para informar a sua câmera o balanço de branco (conforme escrito no texto do artigo sobre esse tema). Aqui estão algumas fotos do mesmo objeto fotografado com a mesma luz e com os diversos ajustes de balanço de branco, disponíveis em duas câmeras que possuo (Canon EOS 50D e Canon Power Shot A590is).


 
50D AWB


 
50D Sol

50D Sombra

50D Nublado

50D lampada tungstênio

50D lampada fluorescente

50D flash

50D personalizado

a590 AWB

a590 Sol

a590 nublado

a590 lampada tungstênio

a590 lampada fluorescente

a590 lampada fluorescente H

a590 personalizado


Você seria capaz de dizer qual foi a luz usada em cada sequencia de fotos?

III – Abertura versus tempo

Exemplos de panning, quando se escolhe um tempo de exposição maior e se acompanha o movimento, se faz um movimento de aproximação com o zoom ou de rotação da câmera no eixo da lente.

Panning

Zoom-panning

Panning circular

Exemplos de longa exposição. Em fotos de longa exposição deve-se se usar tripé ou um ponto de apoio bem estável e firme. Além disso, é aconselhável usar um cabo disparador, ou controle remoto sem fio ou, ainda, disparo por tempo (2s, muitas câmeras possuem), também é indicado em câmeras SLR usar a trava de espelho, o disparo é feito em duas etapas o primeiro acionamento do disparador levanta e trava o espelho e o segundo acionamento abre o obturador, evitando que o levantar do espelho cause tremor na imagem (quando se usa o temporizador de dois segundo com a opção de trava de espelho, o acionamento ocorre em dois estágios, primeiro trava o espelho e depois abre o obturador).

30 segundos, f/22 e ISO 200

20 segundos, f/10 e ISO 400


Exemplo de controle de foco seletivo com câmera SLR. O controle de foco seletivo se faz com grandes aberturas auxiliadas ou não por grande comprimento focal no zoom.

Comprimento focal:100mm, f/6.3, diâmetro aparente do diafragma: 15,87mm

Comprimento focal:50mm, f/1.8, diâmetro aparente do diafragma: 27,78mm

Exemplo de foco seletivo com câmera compacta no modo macro. Cada lápis estava a uma distância de 20 centímetros um do outro, a câmera com o modo macro ativado e zoom no máximo. Repare também o pequeno achatamento dos planos (assunto para um artigo futuro sobre lentes).

Foco seletivo com compacta

Desfoque de fundo com câmera compacta, normalmente se consegue melhores resultados ativando o modo macro mesmo para fazer foco de objetos mais distantes.

Desfoque de fundo com compacta

IV – ISO

Exemplo de mesma cena com diversos ISO, mantendo a mesma abertura f/8 e somente alterando o tempo de exposição no modo automático de prioridade de abertura de ambas as câmeras - a DSLR Canon EOS 50D e a compacta Canon Power Shot A590is.


EOS 50D ISO100

EOS 50D ISO200

EOS 50D ISO400

EOS 50D ISO800

EOS 50D ISO1600

EOS 50D ISO3200

EOS 50D ISO6400

EOS 50D ISO12800

a590 ISO80

a590 ISO100

a590 ISO200

a590 ISO400

a590 ISO800

a590 ISO1600

Aguardo os comentários e principalmente dúvidas, mas lembrem-se de, se colocarem dúvidas nos comentários deixem um email para a resposta, algumas dúvidas podem ser respondidas nos comentários, mas outras são melhores por email. Tem um email disponível na página "Sobre mim e esse blog".

Até breve.

Flávio RB

Técnica de fotografia - 4. Ajuste da sensibilidade à luz (ISO)

 

Outros artigos da série:

I Medindo a luz
II Balanço de branco (Ajuste de branco)
III Quantidade de luz (Abertura vs. Tempo)
V Dicas, truques e exemplos relacionados aos temas da série

Este artigo é exclusivo para câmeras digitais, pois nas câmeras analógicas, não se ajusta a sensibilidade a luz, nelas isso é uma característica dos filmes fotográficos.

Para não fazer com que os fotógrafos acostumados com filme tivessem que aprender como fazer esse ajusta nas câmeras digitais, o sistema de ajuste de sensibilidade a luz, é  “calibrado” com a mesma graduação dos filmes disponíveis no mercado, por isso é bom entender um pouco de filmes.

Os filmes mais comuns no mercado tem sensibilidade ISO 100, 200, 400 e 800. Cada uma dessa, sensibilidade a luz, é o dobro da anterior (da mesma forma que abrir um ponto do diafragma ou aumentar o tempo de exposição um ponto, no artigo anterior). Para usos mais específicos temos ainda o ISO 50 e 1600. Não é mais encontrado (tirando filme de microfilmagem de documentos ISO 25). Quanto mais baixo o ISO, menor é o grão de material fotossensível espalhado na sua superfície, assim, melhor é a definição do filme. Quando maior a sensibilidade, maior o grão e pior a definição da imagem. Por isso que, filmes para microfilmagem de documentos são de ISO 25.


Os sensores digitais não alteram a definição, pois essa depende exclusivamente de quantos elementos de circuito, sensíveis a luz, estão presentes na superfície do sensor, os famosos megapixeis. Dessa forma, quanto mais elementos sensíveis a luz, maior a resolução da câmera. Quando a luz, que entra pela lente, chega ao sensor, cada elemento sensível gera uma pequena corrente elétrica que é processada de forma a gerar a imagem digital. O sensor possui uma sensibilidade natural a luz (alguns conhecidos dizem, sem comprovação, que essa sensibilidade é equivalente ao ISO 200). Essa sensibilidade natural do sensor pode ser amplificada (ou diminuída), através de circuitos adicionais. Esse processo de amplificação de sinal, que faz um sensor equivalente a ISO 200 conseguir aumentar o sinal elétrico gera ruídos na imagem, dessa forma apesara da imagem ter resolução ela não tem qualidade devido à interferência elétrica na amplificação do sinal. Nesse sentido, o ruido elétrico devido a amplificação do sinal é diferente do aumento do tamanho do grão nos filmes.

Como dito acima, as câmeras digitais são reguladas de forma a facilitar a vida dos fotógrafos que já conheciam filmes fotográficos. Assim, as câmeras digitais possuem graduação de sensibilidade a luz equivalentes aos filmes disponíveis no mercado e obedecendo à regra de subir nível na sensibilidade  equivale a ser mais sensível a luz no dobro. É comum encontrar câmeras com ajuste para ISO 100, 200, 400, 800, 1600 e 3200, lembrando que quanto maior a sensibilidade maior será o ruido elétrico gerado na amplificação do sinal. Da mesma forma que as câmeras permitem ajustes em meio ou um terço para abertura de diafragma ou tempo de exposição, devido à facilidade de ajuste elétrico, pode-se fazer o ajuste da sensibilidade em meio ou um terço de ponto.

Aqui surge mais uma diferença entre um “tirador de fotos” e um fotógrafo. Um “tirador de fotos” deixa a câmera no ajuste automático de ISO e um fotógrafo escolhe a sensibilidade adequada para a luz que ele tem. Na prática, é melhor usar o menor ISO que a luz ambiente, e a sua câmera, permitir. Dessa forma o ruido é minimizado. Um outro fator que provoca ruido elétrico, além da amplificação de sinal, é o tamanho do sensor. Essa interferência se deve a proximidade do circuito e dos elementos sensíveis a luz que faz surgir a interferência por indução (existe outro problema de sensores pequenos que tratarei em outro artigo).

É importante saber que, com pouca luz o ajuste de balanço de branco deve ser feito com especial atenção, para que as cores não fiquem muito alteradas, além do que seria normal devido ao baixo contraste nas cenas em ambientes de pouca luz.

Acho que por hoje é só. No próximo, e último, artigo tratarei de dicas, truques e informações extras sobre todos os assuntos abordados na série. Tentarei incluir exemplos de fotos para tudo o que escrever.

Os comentários são muito bem vindos. Dúvidas devem ser pedida por email e não nos comentários, ainda não consegui receber avisos de que existem comentários no blog de forma que sua pergunta pode ficar sem resposta.

Saudações,

Flávio RB

Técnica de fotografia - 3. Quantidade de luz ( Abertura vs. Tempo )

Outros artigos da série:

I Medindo a luz
II Balanço de branco (ou ajuste de branco)
IV Ajustando a sensibilidade à luz ( ISO )
V Dicas, truques e exemplos relacionados aos temas da série

Demorou, mas saiu.

Uma fotografia se faz com a captura da luz refletida pelos objetos da cena num meio sensível à luz. Para que um fotógrafo possa interferir na forma como essa luz será capturada, ele tem a disposição, dois ajustes básicos: a abertura do diafragma e o tempo de exposição. Com esses dois ajustes, o fotógrafo faz a fotografia. Esse é o mínimo de conhecimento que um “tirador de fotos” precisa ter para poder se considerar um fotógrafo.

As câmeras antigas, normalmente só permitiam o ajuste desses dois controles em unidades que se chamavam pontos. Então quando algum fotógrafo dizia para diminuir um ponto, podia-se diminuir a abertura ou diminuir o tempo que o resultado de luz seria o mesmo. Hoje, as câmeras permitem que se faça esse ajuste na terça parte de um ponto, mas o conceito continua o mesmo. Os ajustes de abertura de diafragma e do tempo de exposição são complementares, isto é, se um deles é aumentado um um ponto, para manter a mesma entrada de luz, o outro deve ser diminuído um ponto.
Ao se usar o controle manual de abertura de diafragma e tempo de exposição devemos ter em mente os conceitos de medição de luz do primeiro artigo da série. A ideia é manter a escala numerada no meio, salvo se desejamos compensar a medição equivocada da luz refletida.

Algumas câmeras além do recurso de se controlar manualmente a abertura do diafragma e o tempo de exposição, possuem modos de prioridade de abertura (Av nas Canon, A nas Sony e Nikon) e de tempo de exposição (Tv nas Canon e S nas Sony e Nikon). Note que ao se optar por um modo de prioridade a câmera irá calcular o outro para manter a medição da luz refletida no meio da régua (conforme o primeiro artigo), mas pode-se usar a compensação de luz do mesmo modo. Note que, se usar o modo de prioridade de abertura, pode fazer com que a velocidade seja baixa demais (dependendo da quantidade de luz no ambiente) e isso pode provocar fotos tremidas, dependendo do comprimento focal da objetiva.

O controle da velocidade (tempo de exposição), se faz selecionando um número inteiro que representa o denominador da fração 1/N. Assim, ao escolher a velocidade 500, se está escolhendo o tempo de 1/500 (um quinhentos avos) do segundo. A maioria das câmeras semiprofissionais e profissionais, tem tempos que variam de 30 segundos até 1/4000 segundos. Quando se avança o que se chama um ponto, está se dividindo por dois a quantidade de luz no filme ou sensor (algumas câmeras permitem avanço em meio ou um terço de ponto), os tempos mais comuns são: 30s, 15s, 8s, 4s, 2s, 1s, 2, 4, 8, 15, 30, 60, 125, 250, 500, 1000, 2000 e 4000 (note que os números inteiros sem a notação “s”, de segundos, são o denominador da fração 1/N segundo).

Já a abertura do diafragma é indicada por um número, chamado número f. Esse número é o resultado da relação entre o comprimento focal da objetiva e o diâmetro da abertura do diafragma, ambos em milímetros. Da mesma forma que o tempo de exposição, ao fechar um ponto a abertura do diafragma se está dividindo por dois a quantidade de luz no sensor ou filme, câmeras mais modernas também permitem o ajuste a cada meio ou um terço de ponto. Os números f mais comuns encontrados nas objetivas são: 2, 2.8, 4, 5.6, 8, 11, 16, 22 e 32. Quando uma objetiva permite uma grande abertura –número f pequeno–, são chamadas de objetivas rápidas, por permitirem que se use tempos pequenos de exposição em condições de baixa luz.

O controle do tempo de exposição se faz necessário para as seguintes situações, congelar o movimento ou capturar o movimento. Para congelar o movimento, faz-se necessário usar uma velocidade tão grande quanto o assunto a ser fotografado, por exemplo, para fotografar uma criança brincando, não é recomendado menos que 1/250 segundo, para congelar as asas do beija flor deve-se usar 1/1000 do segundo, parar um carro de formula 1 1/2000 segundo. Quando se deseja registrar o movimento, usa-se velocidades mais baixas, nesse caso pode-se deixar a câmera parada e o assunto, se deslocando, fica borrado ou acompanhar o movimento deixando o fundo borrado (borrado não é desfocado nem tremido), fazendo o chamado panning.

Para usuário de câmeras compactas com controle manual, pode ser complicado perceber o controle de abertura do diafragma como algo além da compensação da luz para o tempo de exposição escolhido. As dimensões físicas da lente impede o controle de foco seletivo, com os desfoque do que está ao fundo ou atém mesmo a frente do assunto, que as grandes aberturas do diafragma proporcionam. Praticamente, toda câmera compacta trabalha com a distância hiperfocal, pois o efeito de desfoque é um atributo da abertura física –em milímetros- da objetiva e não da relação entra o comprimento focal e essa abertura. O número f pequeno das câmeras compactas, se deve não a uma abertura grande, mas a relação entre dois comprimentos pequenos. Numa objetiva de grandes dimensões físicas o número f pequeno se deve a uma abertura de diafragma –em milímetros– grande. Dessa forma, quando se deseja destacar o elemento que está em foco, se deve usar grandes aberturas, fazendo com que o fundo fique fora de foco, isso é muito usado em fotos de modelos. Quando se faz uma foto de uma paisagem, recomenda-se usar uma abertura pequena (número f grande) para que tudo esteja em foco, a chamada distância hiperfocal.

Por hoje é só. No próximo artigo, espero não demorar tanto, trataremos de sensibilidade do meio (sensor ou filme) a luz. E no último trarei algumas dicas e truques, principalmente sobre o assunto de hoje.

 Até o próximo.

Flávio RB

Técnica de fotografia - 2. Balanço do branco ( Ajuste do branco )

Continuando a publicação dos excelentes artigos de Flávio RB, apresentamos o segundo artigo...





Finalmente terminei o segundo artigo da série sobre técnica de fotografia.

Outros artigos da série:

I Medindo a luz

III Controlando a quantidade de luz (Abertura vs. Tempo)

IV Ajustando a sensibilidade à luz (ISO)

V Dicas, truques e exemplos relacionados aos temas da série


Vamos ao que interessa.


Nossos olhos são um equipamento que se adapta relativamente bem as condições de
iluminação. Tirando casos de penumbra (baixa quantidade de luz) ou iluminação com luz monocromática (lâmpadas coloridas), eles se adaptam e conseguimos ver as cores refletidas pelos objetos com bastante precisão.

Diferentemente dos nossos olhos, tanto os filmes fotográficos quanto os sensores das câmeras digitais não tem a versatilidade de captar corretamente as cores. Os filmes são fabricados para um tipo de luz (existem filmes para se usar em luz do dia, outros para iluminação incandescente, etc). Ao se usar um tipo de filme – produzido para um tipo de luz – sob outra fonte de luz os fotógrafos usavam filtros para compensar essa diferença na iluminação e conseguir que as cores estivessem de acordo com a realidade.

Nosso foco, no blog, é a fotografia digital, então paramos de falar de filme aqui e veremos como fazer para se conseguir que as cores de nossas fotos sejam mais próximas do que estamos vendo. É claro que fotógrafos acostumados com filme podem continuar com seus filtros inclusive nas câmeras digitais, mas é sempre bom saber que elas possuem regulagens que permitem se especificar o balanço de branco para cada foto que será feita (seria como se cada fotograma pudesse ser regulado para o balanço de branco correto). Para o iniciante em fotografia, essa informação é útil no sentido de propiciar que ele entenda a possibilidade de fazer uma foto melhor quando as condições de luz não permitem que as cores fiquem próximas do que estamos vendo.

A maioria das câmeras digitais possui um modo automático de balanço de branco (AWB – Automatic White Balance) e quase todo mundo nunca pensa em usar outro modo que não seja esse. Realmente com esse modo ativado, as câmeras atuais conseguem fazer os ajustes das cores para quase todas as condições de iluminação. O problema esta nesse quase todas as vezes, em alguns casos só são conseguidas “cores lavadas” e imagens sem vida.

Normalmente as câmeras compactas mais básicas possuem 6 modos de ajuste de balanço de branco (além do AWB): flash, sol, sombra, nublado, lâmpada fluorescente e lâmpada incandescente. Câmeras mais avançadas costumam ter o ajuste manual de balanço de branco (explicado mais adiante). Além disso, algumas câmeras mais modernas costumam ter mais modos para vários tipos de lâmpadas fluorescente (dois ou três no máximo).

É simples usar os modos de ajuste do balanço de branco, basta selecionar o tipo correto, de acordo com a iluminação do local, se o objeto a ser fotografado está no sol, selecionamos esse tipo, se estiver sol mas nosso objeto está na sombra, selecionamos esse modo e assim por diante. Experimente e veja os resultados, faça fotos usando modos diferentes e veja se as cores não parecem mais vivas e reais tirando aquele aspecto de “cor lavada”.

É muito comum quando fotografamos no modo automático (AWB) e fazemos uma foto com iluminação fluorescente da foto ficar esverdeada, mude para um dos modos de ajuste de iluminação fluorescente e veja como o resultado será melhor.

Como dito acima, algumas câmeras permitem que seja feita a configuração manual do ajuste de balanço de branco. Essa configuração consiste em informar para a câmera o que ela deve considerar como sendo o branco para aquela fonte de luz. Isso pode ser feito de duas formas, dependendo do tipo de câmera. Algumas pedem para você tirar a foto de algo branco, completamente enquadrado(pode usar uma folha de papel branca), e depois selecionar essa imagem para que a câmera faça a regulagem, essa é a forma mais comum nas câmeras semi profissionais, pois permitem que o fotógrafo tenha várias imagens fotografadas dentro de um ambiente grande e possa refazer a configuração sem precisar enquadrar novamente o objeto. As câmeras compactas, normalmente, não fazem esse ajuste com imagens armazenadas, você deve fazer nova captura toda vez que precisar alterar o ajuste. Pode-se usar o recurso de ajuste manual de balanço de branco quando as condições de iluminação não permitem se usar os ajustes padronizados ou quando se deseja maior precisão no resultado do ajuste.

Algumas câmeras, inclusive compactas, permitem que o ajuste do balanço de branco seja feito selecionando a temperatura de cor da luz que está iluminando os objetos. Temperatura de cor é o fundamento físico por trás do balanço de branco.

Primeiramente, temperatura de cor não tem nada a ver com a lâmpada emitir calor ou não. Ao aquecermos qualquer material, após uma certa temperatura, esse material começa a emitir luz visível em determinadas cores. A temperatura de cor foi padronizada como sendo a temperatura que um bloco negro de tungstênio (material do filamento das lâmpadas incandescentes) está quando começa a emitir a mesma luz que a fonte de luz a ser aferida. A escala começa no vermelho e chega no violeta e a temperatura é medida em Kelvin (K). Exemplos, a temperatura de cor da luz do sol do meio dia é de aproximadamente 5500K (cinco mil e quinhentos kelvins), a luz de uma vela tem temperatura de cor de aproximadamente 1400K.

Por hoje é só. Aguardo comentários.

Saudações,

Flávio RB

Técnica de fotografia - 1. Medindo a Luz

 

Este é o primeiro artigo de uma série de cinco, que pretendo publicar em sequência. Os outros artigos seguem os títulos e ordem abaixo:

II Balanço do branco (Ajuste do branco)
III Quantidade de luz (Abertura vs. Tempo)
IV Ajustando a sensibilidade à luz (ISO)
V Dicas, truques e exemplos relacionados aos temas da série

Primeiramente, vale ressaltar que fotografia (*) é o registro da luz refletida pelos objetos e que chega até o filme (ou sensor no caso das câmeras digitais). Sendo esta o registro da luz, nada melhor que saber como medir a luz ou como a câmera mede a luz para se conseguir fazer fotografias melhores.


Existem dois modos de se medir a luz:
  1. Medição da luz incidente. Essa é a mais usada em estúdio, onde o fotógrafo tem a disposição um equipamento chamado fotômetro, que mede a luz que está chegando até os objetos a serem fotografados. Esse equipamento retorna para o fotógrafo os valores de abertura e tempo de exposição (assuntos do terceiro artigo da série) que devem ser usados para a sensibilidade de filme (ou de regulagem do sensor) escolhida – normalmente em estúdio, onde as condições de luz são controladas essa medição é realizada no inicio da seção fotográfica ou toda vez que o arranjo de iluminação é alterado.
  2. Medição da luz refletida. Essa é a forma que as câmeras fotográficas usam para fazer a medição. A luz refletida pelos objetos é capturada pela lente e incide no fotômetro interno da câmera, esse retornará a medição da luz e fará os ajustes de abertura e tempo de exposição caso a câmera esteja no modo automático ou indicará a quantidade de luz no visor da câmera. Essa indicação pode ocorrer de diversas formas, nas câmeras de filme é comum encontrar uma “agulha” na lateral do visor que indica muita luz quando aponta para cima e pouca luz quando aponta para baixo, nas câmeras digitais essa indicação normalmente ocorre por meio de uma “régua” graduada de -2 até +2.
A medição de luz mais precisa é a medição de luz incidente, mas nem sempre temos um fotômetro de mão a disposição e quase nunca, quando fora de um estúdio ou local de dimensões pequenas podemos nos dar ao luxo de usá-lo.

Assim, é muito bom saber como o fotometro da câmera interpreta a luz refletida para nos retornar a medição. A câmera fotográfica seja ela digital ou analógica (de filme) mede a luz no seu fotometro interno, “pensando” que a luz que está chegando é a luz refletida por um objeto cinza médio (que reflete 18% da luz incidente). Essa forma de interpretar a medição de luz, nem sempre representa a realidade da cena a ser fotografada.

A principio, dois problemas podem ocorrer com essa forma de medição de luz refletida em conjunto com a câmera “acreditar” que a luz está sendo refletida é a vinda de objeto cinza médio. Se você tenta fotografar uma noiva na neve e não fizer ajuste algum tanto a neve quanto o vestido da noiva parecerão cinzentos na foto (resultado de uma subexposição), o outro caso é o inverso desse, ao fotografar um gato preto numa pilha de carvão também teremos uma imagem cinzenta (resultado da superexposição). Essa são fotos difíceis de serem feitas pois é preciso ter muito cuidado para não fazer o vestido ou o gato sumirem no cenário, no primeiro caso é preciso tomar muito cuidado para não haver o estouro do branco (regiões da foto onde não é possível identificar textura alguma simplesmente fica um branco total na região da foto), no segundo caso, pode se ter a perda total de informação numa sombra.

Para corrigir o problema de medição errada de luz é preciso tirar a câmera do modo completamente automático (aquele normalmente indicado por um ícone de uma câmera verde). As câmeras digitais mais simples podem não ter outro modo que não seja o automático, fuja desses modelos na hora da compra, se você pretende ter controle sobre a fotografia – algumas câmeras só permitem esse tipo de ajuste nos modos de cena, mas ter somente esse tipo de opção é conseguir fazer fotos seguindo certos padrões planejados pelos projetistas da câmera, isto é, é estar fora do controle da sua fotografia.

Uma câmera razoável terá o modo “P” que é um automático que permite certos ajustes manuais (permite alterar o ISO – visto no quarto artigo dessa série – e ajustar a compensação de exposição, além de poder forçar o uso do flash), já uma boa câmera terá os modos de prioridade de abertura e prioridade de tempo (abordados no terceiro artigo dessa série), além do modo de controle manual - “M”.

Supondo que se tenha em mãos uma câmera razoável, ao usar o modo “P” podemos fazer a compensação de luz, ajustando para mais ou para menos a forma da câmera interpretar a luz que está sendo refletida pelos objetos. Nos nossos exemplos, ao se fotografar uma noiva na neve será preciso ajustar a câmera para que ela deixe entrar mais luz que a medida pelo padrão do cinza médio, assim os brancos sairão brancos, esse ajuste não deve ser exagerado pois se assim ocorrer teremos o estouro do branco. O mesmo deve ser feito para se fotografar o gato preto na pilha de carvão, deve-se informar à câmera para considerar menos luz refletida. Esse ajuste é realizado fazendo o indicador de medição de luz (régua graduada de -2 até +2, na maioria das câmeras) ficar para o lado desejado, positivo para o caso da noiva e negativo para o caso do gato.

Existem outros casos em que é interessante se usar o ajuste de compensação de luz. Em dias ensolarados pode ser interessante deixar a câmera regulada para menos (-1/3 ou -2/3) pois assim evita-se que regiões de alta luz fique estourada na imagem. Por outro lado, quando não existe perigo de ocorrência de estouro das altas luzes, pode ser interessante ajustar para mais (+1/3 ou +2/3) de forma que as regiões de sombra fiquem com menos ruido e apresentem maiores detalhes na região de sombra.

Além de saber informar a câmera para justar a medição da luz refletida, é importante saber como a câmera faz a medição da luz. A maioria das câmeras mais simples tem apenas a medição total do quadro, onde é medida toda a luz que entra. Algumas câmeras mais avançadas possuem o modo parcial e parcial ponderado com a luz sendo medida na região mais do centro do quadro com ou sem levar em conta a luz nas bordas do quadro. Por último, só encontrado em câmeras mais avançadas, existe o modo pontual, que é usado por quem deseja fazer a medição de regiões específicas para decidir que abertura e tempo de disparo utilizar.

Ao final da série, no quinto e último artigo, apresentarei algumas dicas gerais relativas a todos os assuntos tratados na série. Não trato dessas dicas agora, pois espero que, quem estiver acompanhando os artigos, teste e experimente os conceitos apresentados de forma a ter condições de compreender as dicas.

Por hoje é só.

Saudações,

Flávio RB

Obturador , Diafragma e ISO

  

Texto de Flávio RB http://sobre-fotografar.blogspot.com/2010/04/tecnica-de-fotografia-i-medindo-luz.html


Um conceito de fotografia que deve ser entendido desde o princípio, pois sem ele não se faz fotografia é o da quantidade de luz. Por isso começo esses textos http://sobre-fotografar.blogspot.com/2010/04/tecnica-de-fotografia-i-medindo-luz.html no blog com medição de luz. Mas a gente mede a luz para poder controlar a quantidade de luz que será capturada para se fazer a fotografia.

São dois os componentes de uma câmera que servem para controlar a quantidade de luz, um é o diafragma e o outro é o obturador. Obturador é algo presente em câmeras de filme e SLR, as câmeras compactas digitais não tem obturador do jeito tradicional, mas sim um circuito que permite a captura para armazenamento da informação que está sensibilizando o sensor, mas isso é outra história e a explicação de um obturador tradicional é didática.

O diafragma regula o tamanho da abertura que deixará a luz passar, seria um furo por onde passa menos ou mais luz dependendo do diâmetro do furo.

O obturador, nas DSLR, é uma cortina que fica na frente do sensor e que será aberta, permanecendo aberta pelo tempo especificado, no momento em que se aperta o botão disparador (fotógrafo da antiga, chama o momento que se faz a tomada de cena da fotografia de disparo, hoje os fotógrafos novos chamam de clique, influencia do uso de computadores e mouse).

Uma mesma sensibilização do sensor (ou do filme) pode ser conseguida aumentando a abertura de diafragma e diminuindo o tempo de exposição ou diminuindo a abertura e aumentando o tempo de exposição.

Os dispositivos - diafragma e obturador - são regulados para que cada passo para aumento de um, seja equivalente a diminuição do outro, em intervalos que se chamam de pontos de EV. Essa característica, onde um ajuste pode ser compensado no outro, para manter a mesma quantidade de luz capturada, é chamada de reciprocidade (em filmes existe um conceito chamado de falha de reciprocidade, a regra não vale para tempos muito longos ou muito curtos de exposição). Nas câmeras mais modernas pode-se dividir esse ajuste de ponto de EX, tanto da abertura do diafragma quanto do tempo de exposição (obturador) em frações de pontos (1/2 ou 1/3).

Podemos fazer uma analogia com encher um balde de água. A água representa a luz, o ajuste do diafragma a abertura que se dá na torneira e o obturador o controle de tempo que deixamos a água passar. Para encher um mesmo balde podemos deixar a torneira muito aberta por um curto tempo ou deixar a torneira mais fechada por um longo tempo.

Com a abertura de diafragma e o tempo de exposição controlamos a quantidade de luz que sensibilizará o meio de captura da imagem. Mas o meio de captura (filme ou sensor) também possui uma característica que é a sensibilidade que ele tem a luz. Nos sensores existe a regulagem da sensibilidade a luz e nos filmes essa é uma característica química do mesmo (se bem que no sensor não se altera a sensibilidade, o circuito tem uma sensibilidade própria, mas podemos amplificar ou reduzir o sinal elétrico para se ter um meio que registre a luz com mais ou menos facilidade, mas isso é outra história).

No inicio da fotografia como indústria, começou-se a haver uma certa padronização de sensibilidade de filmes que culminou numa formalização de padrão pelo órgão internacional de padrões ISO (por isso dizemos o ISO do filme), onde os fabricantes de filme fotográfico formalizaram as questões de sensibilidade a luz, para que os fabricantes de câmeras tivessem como fazer equipamentos que não dependiam muito de qual filme estava sendo usado para se ter um mesmo resultado com a mesma regulagem na câmera na mesma luz incidente.

Com a fotografia digital, os fabricantes viram que o sensor poderia ser regulado para capturar menos ou mais luz e resolveram ajustar as escalas de sensibilidade ao mesmo padrão usado nos filmes, assim um fotógrafo acostumado com filme não precisaria aprender novamente conceitos para ter os mesmos resultador nos equipamentos digitais.

Os filmes são padronizador para que cada próximo ISO equivalha a um ponto de exposição a mais que o anterior, assim um filme ISO 200 representa um ponto de exposição a mais que um filme ISO 100, isso quer dizer que pode-se usar uma velocidade um ponto mais rápida ou um ponto de diafragma mais fechado quando se usa um filme ISO 200 ao invés de ISO 100.

O mesmo vale para o ajuste de sensibilidade no sensor, se passarmos de ISO 100 para ISO 200 podemos usar o diafragma mais fechado um ponto ou o obturador mais rápido um ponto. Note que não é meio ou 1/3 de ponto, é um ponto inteiro, mas nada impede que se feche o diafragma 1/3 de ponto e se diminua o tempo 2/3 de ponto (a soma dará um ponto).

São valores comuns de ISO para filmes: 25, 50, 100, 200, 400, 800 e 1600. Os valores muito baixos eram mais comuns no passado (mais ainda existem para equipamento de microfilmagem - está acabando devido a digitalização) e os valores mais altos só apareceram comercialmente depois da década de 1990.

Mas nem tudo são flores. Os filmes com maior sensibilidade apresentam uma granulação na imagem, pois os elementos sensíveis a luz devem ser grandes para serem muito sensíveis, isso reduz a definição da imagem (por isso que filmes de microfilmagem de documento são de ISO baixo, para ter maior definição) - é como se um filme de ISO baixo tivesse melhor resolução que um filme de ISO alto.

Curiosamente, com os sensores eletrônicos das câmeras digitais, ocorre um fenômeno que atrapalha as imagens em ISO alto, é claro que a resolução do sensor não muda, mas para se amplificar o sinal elétrico provocado pela luz no sensor, acaba-se introduzindo um ruido elétrico que faz com que a imagem perca nitidez e apresente pontos com coloração onde não deveria. A isso se chama ruído.

Tem fotógrafos que dizem que grão é bonito e ruído é feio, mas diversos programas de edição tratam o ruído e fazem ele parecer o grão. Note que os sensores digitais de hoje chegam a valores inimagináveis em filme para a sensibilidade e com um rendimento muito superior que um filme de mesma sensibilidade. Isto é, o ruído de que um sensor digital provoca na definição da imagem, por exemplo em ISO 800, é muito inferior a perda de definição que temos em um filme de mesmo ISO. Isso é mais verdadeiro para câmeras com sensor de tamanho maior, nas câmera compactas existe outro fator que implica na diminuição de definição, mas isso é outra história.

Flávio RB http://sobre-fotografar.blogspot.com/2010/04/tecnica-de-fotografia-i-medindo-luz.html