Outros artigos da série:
I Medindo a luz
II Balanço de branco (ou ajuste de branco)
IV Ajustando a sensibilidade à luz ( ISO )
V Dicas, truques e exemplos relacionados aos temas da série
Demorou, mas saiu.
Uma fotografia se faz com a captura da luz refletida pelos objetos da cena num meio sensível à luz. Para que um fotógrafo possa interferir na forma como essa luz será capturada, ele tem a disposição, dois ajustes básicos: a abertura do diafragma e o tempo de exposição. Com esses dois ajustes, o fotógrafo faz a fotografia. Esse é o mínimo de conhecimento que um “tirador de fotos” precisa ter para poder se considerar um fotógrafo.
As câmeras antigas, normalmente só permitiam o ajuste desses dois controles em unidades que se chamavam pontos. Então quando algum fotógrafo dizia para diminuir um ponto, podia-se diminuir a abertura ou diminuir o tempo que o resultado de luz seria o mesmo. Hoje, as câmeras permitem que se faça esse ajuste na terça parte de um ponto, mas o conceito continua o mesmo. Os ajustes de abertura de diafragma e do tempo de exposição são complementares, isto é, se um deles é aumentado um um ponto, para manter a mesma entrada de luz, o outro deve ser diminuído um ponto.
Ao se usar o controle manual de abertura de diafragma e tempo de exposição devemos ter em mente os conceitos de medição de luz do primeiro artigo da série. A ideia é manter a escala numerada no meio, salvo se desejamos compensar a medição equivocada da luz refletida.
Algumas câmeras além do recurso de se controlar manualmente a abertura do diafragma e o tempo de exposição, possuem modos de prioridade de abertura (Av nas Canon, A nas Sony e Nikon) e de tempo de exposição (Tv nas Canon e S nas Sony e Nikon). Note que ao se optar por um modo de prioridade a câmera irá calcular o outro para manter a medição da luz refletida no meio da régua (conforme o primeiro artigo), mas pode-se usar a compensação de luz do mesmo modo. Note que, se usar o modo de prioridade de abertura, pode fazer com que a velocidade seja baixa demais (dependendo da quantidade de luz no ambiente) e isso pode provocar fotos tremidas, dependendo do comprimento focal da objetiva.
O controle da velocidade (tempo de exposição), se faz selecionando um número inteiro que representa o denominador da fração 1/N. Assim, ao escolher a velocidade 500, se está escolhendo o tempo de 1/500 (um quinhentos avos) do segundo. A maioria das câmeras semiprofissionais e profissionais, tem tempos que variam de 30 segundos até 1/4000 segundos. Quando se avança o que se chama um ponto, está se dividindo por dois a quantidade de luz no filme ou sensor (algumas câmeras permitem avanço em meio ou um terço de ponto), os tempos mais comuns são: 30s, 15s, 8s, 4s, 2s, 1s, 2, 4, 8, 15, 30, 60, 125, 250, 500, 1000, 2000 e 4000 (note que os números inteiros sem a notação “s”, de segundos, são o denominador da fração 1/N segundo).
Já a abertura do diafragma é indicada por um número, chamado número f. Esse número é o resultado da relação entre o comprimento focal da objetiva e o diâmetro da abertura do diafragma, ambos em milímetros. Da mesma forma que o tempo de exposição, ao fechar um ponto a abertura do diafragma se está dividindo por dois a quantidade de luz no sensor ou filme, câmeras mais modernas também permitem o ajuste a cada meio ou um terço de ponto. Os números f mais comuns encontrados nas objetivas são: 2, 2.8, 4, 5.6, 8, 11, 16, 22 e 32. Quando uma objetiva permite uma grande abertura –número f pequeno–, são chamadas de objetivas rápidas, por permitirem que se use tempos pequenos de exposição em condições de baixa luz.
O controle do tempo de exposição se faz necessário para as seguintes situações, congelar o movimento ou capturar o movimento. Para congelar o movimento, faz-se necessário usar uma velocidade tão grande quanto o assunto a ser fotografado, por exemplo, para fotografar uma criança brincando, não é recomendado menos que 1/250 segundo, para congelar as asas do beija flor deve-se usar 1/1000 do segundo, parar um carro de formula 1 1/2000 segundo. Quando se deseja registrar o movimento, usa-se velocidades mais baixas, nesse caso pode-se deixar a câmera parada e o assunto, se deslocando, fica borrado ou acompanhar o movimento deixando o fundo borrado (borrado não é desfocado nem tremido), fazendo o chamado panning.
Para usuário de câmeras compactas com controle manual, pode ser complicado perceber o controle de abertura do diafragma como algo além da compensação da luz para o tempo de exposição escolhido. As dimensões físicas da lente impede o controle de foco seletivo, com os desfoque do que está ao fundo ou atém mesmo a frente do assunto, que as grandes aberturas do diafragma proporcionam. Praticamente, toda câmera compacta trabalha com a distância hiperfocal, pois o efeito de desfoque é um atributo da abertura física –em milímetros- da objetiva e não da relação entra o comprimento focal e essa abertura. O número f pequeno das câmeras compactas, se deve não a uma abertura grande, mas a relação entre dois comprimentos pequenos. Numa objetiva de grandes dimensões físicas o número f pequeno se deve a uma abertura de diafragma –em milímetros– grande. Dessa forma, quando se deseja destacar o elemento que está em foco, se deve usar grandes aberturas, fazendo com que o fundo fique fora de foco, isso é muito usado em fotos de modelos. Quando se faz uma foto de uma paisagem, recomenda-se usar uma abertura pequena (número f grande) para que tudo esteja em foco, a chamada distância hiperfocal.
Por hoje é só. No próximo artigo, espero não demorar tanto, trataremos de sensibilidade do meio (sensor ou filme) a luz. E no último trarei algumas dicas e truques, principalmente sobre o assunto de hoje.
Até o próximo.
Flávio RB
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